Influência do Processo de Aculturação no Bem-Estar Psicológico e na Saúde Mental
Caso dos imigrantes portugueses que vivem no México
Este livro apresenta os resultados de uma investigação científica sobre o processo de aculturação dos imigrantes portugueses residentes no México — decorrente da adaptação a uma cultura distinta — e a sua relação com o bem-estar e a saúde mental. O método utilizado foi de cariz descritivo e transversal, com um desenho misto; contou com a participação de 79 indivíduos (56 homens e 23 mulheres) com uma média de idades de 44.5 anos, selecionados por conveniência. Os instrumentos utilizados tiveram por base as escalas do MIRIPS Questionnaire, a Escala de Ansiedade, Depressão e Stress (EADS) e a Escala Positive and Negative Affet Schedule (PANAS), acrescidos de um questionário sociodemográfico e uma entrevista semiestruturada.
Apesar da heterogeneidade desta comunidade, foi possível construir um modelo que identifica as variáveis de adaptação sociocultural que influenciam as estratégias de aculturação; isto é, a forma como estas afetam as relações interpessoais e, consequentemente, o bem-estar e a saúde mental dos indivíduos.
Os resultados indicam que a satisfação com a vida se associa ao uso de estratégias de aculturação do tipo integração e assimilação, particularmente entre indivíduos qualificadas e com boa proficiência do português. Por outro lado, a adoção de estratégias de separação foi predita por um conjunto de variáveis distintas, como a mão de obra não qualificada; menor proficiência em espanhol; encontrar-se em uma relação afetiva com uma pessoa de nacionalidade diferente à portuguesa; a perceção em relação à discriminação vivida; dificuldades na comunicação interpessoal; um maior envolvimento com a sociedade de acolhimento; e, o afeto positivo, desde o bem-estar subjetivo. Já os indivíduos com idade superior a 60 anos adotaram estratégias de marginalização face à sociedade de acolhimento, o que suscita preocupação quanto à sua saúde mental. De facto, todas as dimensões de adaptação sociocultural avaliadas influenciaram a regulação emocional (depressão, ansiedade e stress). Contudo, observou-se uma ansiedade exacerbada, devida à discriminação percebida e à insegurança vivida, que exige atenção clínica.